As reticências são, na escrita, a sequência de três pontos (sinal gráfico: …) no fim, no início ou no meio de uma frase. A utilização deste género de pontuação indica um pensamento ou ideia que ficou por terminar e que transmite, por parte de quem exprime esse conteúdo, reticência, omissão de algo que podia ser escrito, mas que não o é.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Porque...
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Terabytes de bílis...
terça-feira, 26 de abril de 2011
Os gatos...




sexta-feira, 22 de abril de 2011
... afasta de mim esse Cálice...
If there is a way
Take this cup away from me
For I don't want to taste its poison
Feel it burn me,
I have changed I'm not as sure
As when we started
Then I was inspired
Now I'm sad and tired
Listen surely I've exceeded
Expectations
Tried for three years
Seems like thirty
Could you ask as much
From any other man?
But if I die
See the saga through
And do the things you ask of me
Let them hate me, hit me, hurt me
Nail me to their tree
I'd want to know
I'd want to know my God
I'd want to know
I'd want to know my God
I'd want to see
I'd want to see my God
I'd want to see
I'd want to see my God
Why I should die
Would I be more noticed
Than I ever was before?
Would the things I've said and done
Matter any more?
I'd have to know
I'd have to know my Lord
I'd have to know
I'd have to know my Lord
I'd have to see
I'd have to see my Lord
I'd have to see
I'd have to see my Lord
If I die what will be my reward?
If I die what will be my reward?
I'd have to know
I'd have to know my Lord
I'd have to know
I'd have to know my Lord
Why, why should I die?
Oh, why should I die?
Can you show me now
That I would not be killed in vain?
Show me just a little
Of your omnipresent brain
Show me there's a reason
For your wanting me to die
You're far too keen on where and how
But not so hot on why
Alright I'll die!
Just watch me die!
See how, see how I die!
Oh, just watch me die!
Then I was inspired
Now I'm sad and tired
After all I've tried for three years
Seems like ninety
Why then am I scared
To finish what I started
What you started
I didn't start it
God thy will is hard
But you hold every card
I will drink your cup of poison
Nail me to your cross and break me
Bleed me, beat me
Kill me, take me now
Before I change my mind
domingo, 13 de março de 2011
Interlúdio...
I see what life has dealt to me
With every sadness I deny
I feel a chance inside me die
Give me a taste of something new
To touch to hold to pull me through
Send me a guiding light that shines
Across this darkened life of mine
Breathe some soul in me
Breathe your gift of love to me
Breathe life to lay 'fore me
Breathe to make me breathe
For every man who built a home
A paper promise for his own
He fights against an open flow
Of lies and failures, we all know
To those who have and who have not
How can you live with what you've got?
Give me a touch of something sure
I could be happy evermore
Breathe some soul in me
Breathe your gift of love to me
Breathe life to lay 'fore me
To see to make me breathe
Breathe your honesty
Breathe your innocence to me
Breathe your word and set me free
Breathe to make me breathe
This life prepares the strangest things
The dreams we dream of what life brings
The highest highs can turn around
To sow love's seeds on stony ground
Breathe
Breathe
Breathe some soul in me
Breathe your gift of love to me
Breathe life to lay 'fore me
To see to make me breathe
Breathe your honesty
Breathe your innocence to me
Breathe your word and set me free
Breathe to make me breathe
quarta-feira, 2 de março de 2011
Memórias...
De algumas das coisas que me orgulho, esta é das mais significantes: o percurso que tenho feito contigo, Vírgula.
Penso que do tanto que temos alcançado uma das coisas mais preciosas é a capacidade que aprendemos de nos VERMOS uma à outra. Seja com o olhar, com o coração ou com os ouvidos, o respeito e cumplicidade crescentes que têm pautado a nossa amizade é algo que me faz pensar no quão preciosas podem ser, de facto, as relações humanas quando, entre outras coisas, a humildade e a generosidade são recíprocas.
Não pretendendo ser este, um espaço de 'troca de galhardetes', há alturas em que não podemos deixar de salientar a existência de alguém que nos é tão próximo e querido. Hoje, esse alguém é, uma vez mais, tu!
Não conheço pessoa mais doce, afável, sensata, carismática e generosa do que tu. Orgulho-me disso: de te ter na minha vida e, acima de tudo, de poder traçar um percurso contigo. A mão que pediste para não te largar responde-te dizendo: não me largues também!
Deixo-te, como prometi, o meu humilde presente: um pequeno apanhado de algumas das nossas mais significativas memórias do mau, do bom e - claro! - do muito bom, na expectativa de ainda vivermos o excelente.
Obrigada, SEMPRE, por existires!
Presente sempre presente...
Eu tenho uma Amiga sempre presente, no presente e de presente!
A nossa querida Vírgula está de parabéns. Faz hoje anos que a vida nos concedeu o presente da sua existência.
O meu jogo de palavras não é, como perceberão, despropositado. Tem, como intuito, abrir o espaço ao que se segue.
Há uns tempos, a Vírgula perguntou-me se, no dia de anos dela, podíamos colocar este vídeo. Não temos trabalhado no blogue devido às mais diversas vicissitudes. No entanto, não esqueci e fica, aqui,o meu primeiro presente.
O tempo tem sido precioso para o nosso percurso individual mas também recíproco. De facto, nada melhor do que estas palavras e esta voz para o celebrar.
Obrigada por existires! O tempo é quando...
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
Maria Bethania
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo
Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definitivo
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo
O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Ainda a propósito do Broncas...
No Verão fui almoçar a casa da minha amiga Paula. Vive num segundo andar de um prédio que, visto do exterior, parece uma vivenda. Não tem elevador.
Ouvimo-la:
- Vai, Broncas! É o Ponto de Interrogação e a Vírgula. Vai ter com elas, vai!
Correu escada abaixo. Estávamos no primeiro lanço a rir com a sofreguidão dele, que mais parecia um cachorrinho desvairado do que um cão apessoado de 11 anos.
Já não me via há uns tempos. Quando ia a descer, olhou-me e estacou. Devagarinho começou a andar para trás e desapareceu na esquina do corrimão.
Incentivámo-lo.
Primeiro, a orelha e o olho direitos. Pouco a pouco o focinho foi surgindo, espreitando e estudando a situação. Aparecia. Desaparecia. As gargalhadas e ”Broncas, vem cá…” estalavam o silêncio.
Desceu os primeiros degraus mas, numa decisão impetuosa, virou o rabo e zarpou até casa. Voltou e o cerimonial repetiu-se. De repente desceu e dirigiu-se ao Ponto de Interrogação. Se ao menos eu fosse uma bola colorida, grande, pequena ou assim-assim, cumprimentar-me-ia e atirar-se-ia para cima de mim com toda a alegria do universo.
Enchi-o de festas e de palavras tontas e a coisa acalmou.
A casa da Paula é um amor mas pequenina. Para qualquer lado que nos virássemos estampávamo-nos com o príncipe, que queria atenção e brincadeira.
Hora do almoço. Um desastre maravilhoso – as duas manas, “mães” cuidadosas, diziam-lhe determinadamente: “Não, Broncas, não te dou de comer. Isto faz-te mal.” Pelo sim, pelo não, vinha ter comigo. Das duas espetadas divinais, fui retirando, o mais imperceptivelmente que me era possível, pedaços de carne de vaca e chouriço. Deixava descair o braço e zás… uma boca rodeada de pêlo ruivo e barbichinha branca afiambrava o petisco. E, pronto, a Vírgula e o seu príncipe canídeo eram logo alvo de ralhetes. Eu punha um sorriso estúpido e pestanejava candidamente.
Um parêntesis. O Broncas era macho-macho, ou seja, nunca ficou a ladrar fininho, ou seja, a família recusou-se a tirar-lhe os tintins. Assediava a Lady, esterilizada, que o provocava com muita sabedoria, como boa fêmea que é, mas que, depressa, numa postura cheia de pedantismo, o mandava bugiar.
Muito activo sexualmente – demasiado, diria eu –, não era propriamente selectivo. Quase tudo lhe servia desde que tivesse pernas – Lady, bonecos e pessoas. Se estava a ser observado, os fervores cediam com as palavras um pouco mais duras dos donos.
De regresso ao almoço.
Na hora de arrumar a cozinha, o Broncas foi para o quarto encontrar-se com a sua ‘sobremesa’ preferida: um boneco de peluche (sempre o mesmo), com ar decadente de tanto ter sido lavado, esfregado e desinfectado. Acto rápido que nos pôs a rir, com excepção da Paula que começou a dizer mal da vida dela. Pela milionésima vez elevada ao cubo, lá tinha que ir limpar.
Escusado será dizer que não teve descendência.
No passado dia 1 de Janeiro fui jantar a casa da minha amiga Paula.
Serão combinado semanas antes do declínio do Broncas. Na quarta-feira anterior, perto das 20 horas, ele adormecera para sempre.
Parti do princípio de que o encontro ficaria sem efeito. Até disse ao Ponto…: “Vou ter que deixar passar uns tempos antes de ir a casa dos teus pais ou da tua irmã. Não me sinto com coragem para enfrentar o vazio do meu príncipe.” Insurgiu-se. Tinha trocado mails com a Paula que queria mesmo fazer o jantar connosco, numa homenagem ao Broncas, por quem brindaríamos. “Ok – respondi-lhe, emocionadamente acalentada. – Minha querida mana do meio… Não te preocupes, eu dou a ‘volta’.”
Chegámos. Os gestos e as palavras tentavam esconder a nossa ansiedade mas conhecemo-nos bem.
Antes de abrirmos a porta do prédio, olhámos uma para a outra, inspirámos e dissemos. “Bom, cá vamos nós…”.
O silêncio na escada caiu-nos em cima como nevoeiro cerrado e húmido que nos fez doer os ossos e apertar a alma. Dei-lhe a mão e, assim, subimos até ao segundo andar.
Aprendi cedo que mais vale estar calada do que dizer parvoíces mas as emoções conspiram contra nós:
- Santo Deus, nem se ouve a voz da Paula…
Fingimo-nos à vontade apenas nos primeiros momentos. Logo de seguida sentimo-nos mesmo.
A casa da Paula é um amor mas é tão grande…
Desta vez, a fadinha do lar foi o Ponto… Antes e depois do jantar, eu e a Paula continuámos sentadas, a fumar, a beber e a falar.
Conversámos sobre muitos temas. O primeiro de quatro brindes iguais foi para a ausência que sentíamos presente. Levantámos os copos e dissemos a uma só voz: “Ao Broncas…”.
Árido? Não. A energia luminosa que, decerto, esteve connosco, sabe o valor daquele ritual que durou até perto das quatro da manhã.
Tenho muitas recordações dele mas esta tem sido recorrente.
Quis uma lembrança física. Pedi ao Ponto… se me dava uma bolinha, esse objecto que o deixava atabalhoado como se fosse a melhor comida do mundo ou a cadela mais bonita da rua e que tanto o afectou. Há dois anos, numa das suas saídas, e sem que se desse por isso, engoliu uma bola. Guardou-a no estômago durante seis meses até que começou a adoecer, acabando por ser operado.
O Ponto… deu-me três: duas pequeninas e uma assim-assim. A assim-assim é de borracha mole e está toda marcada pelos dentes dele.
Pu-las na estante do meu quarto, em locais criteriosamente escolhidos, num relicário de memórias e de amores.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Broncas
Broncas. É o seu nome.
Eu sei. É um nome já de si muito sui generis, e ainda mais para um pequeno anjo intemporal de quatro patas. Um autêntico boneco de peluche com a diferença de que respira, sente e pensa.
Sim… Acredito que os cães pensam. Assim como os gatos, os cavalos, as galinhas, os golfinhos, as melgas e, entre toda a parafernália de seres vivos existentes, por vezes também o ser humano.
Eu, que tanta importância dou às palavras e aos conceitos, passei a dar um novo significado à palavra ‘Broncas’. Para mim significa doçura, inocência, pureza, generosidade, traquinice, afecto, sobrevivência e bolas… Muitas bolas! Milhões de bolas coloridas e saltitonas como no anúncio de uma marca muito conceituada e conhecida.
O Broncas é um dos seres que nos dá o imenso privilégio de sermos a sua família e de nos brindar com todas as características que descrevi e outras mais.
Um cão com o que de melhor existe em cada cão mas também em cada um de nós. O eterno namorado e protector da Lady – outro anjo que veio ao nosso encontro.
Desde que me lembro de existir, sempre tive amigos e familiares de quatro patas – como costumo designá-los. Amo profundamente todos os animais – os meus e os dos outros – e nunca chorei tanto por nada nem por ninguém como chorei pelo Putchi. Mas, apesar de ser ‘filho’ da minha irmã, creio que nunca estabeleci uma ligação tão grande como a que acredito ter com o Broncas. Na verdade, acho que ele é tão especial que todos nós temos com ele uma ligação igualmente especial. E a quem é especial também lhe é concedida essa ligação. É um verdadeiro companheiro.
Por isso, resolvi fazer-lhe aqui, hoje, a minha homenagem.
Aos olhos ‘namoradeiros’ e eternamente doces, às suas brincadeiras e rebeldias, à sua gulodice, e à sua maravilhosa e eterna existência que é sempre uma bênção.
A ti, Broncas, o eterno cão de peluche que respira, sente e pensa.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
sábado, 11 de dezembro de 2010
Interlúdio...
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Arte com farinha
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
O último cigarro…
O último cigarro do dia é saboreado à janela do meu quarto.
A obstruir a linha do horizonte, vários prédios baixos e uma igreja sofrida – o terramoto de 1755 só não venceu a capela-mor, o arco do cruzeiro e parte das paredes do corpo principal.
Deito-lhe sempre um olhar carinhoso. Foi nela que me quis casar.
Monumento nacional a provar que os “80-60-80” só são medida ideal para os que não sabem ver.
Vénus, o planeta feminino, coquete e apressado, expõe-se para ser admirado.
Apenas uma ou duas estrelas. Em caso de sorte ou de boa vontade, cerca de meia dúzia.
Por vezes, a Lua ainda se encontra daquele lado. Quero-a Cheia. Fascina-me e apetece-me tocá-la.
The Man of the Moon, meio triste, meio amuado, meio amargurado, faz-me lembrar uma personagem masculina animada de Tim Burton. Observo-a até me doerem os olhos e, invariavelmente, sorrio. Deslumbrante e misteriosa.
É o meu momento de reflexão após dia de trabalho intenso, de preocupações constantes e de decisões numa área transversal a qualquer hospital.
Memórias, revisões, dúvidas, respostas ou assim-assim. Alturas há em que consigo afastar pensamentos e a tensão vai-me abandonando aos poucos. Tão mais perto do que sou. Há alguém que consiga serenar-nos mais do que nós próprios?
Embora morando em Lisboa, o local é calmo. Cheiro e alago-me de silêncio nocturno.
Já entraram e saíram tantas conversas em mim e de mim que estou esgotada delas. Não podendo libertar-me aguardo, expectante, pela hora da quietude.
Passo para a cama e para outras histórias, lidas e saboreadas. Não quero interrupções - só me descontinuam e fragmentam.
Sei que amanhã é outro dia de abismos inesperados e ruidosos.
Interlúdio...
This is not what I do
It's the wrong kind of place
To be thinking of you
It's the wrong time
For somebody new
It's a small crime
And I got no excuse
And is that alright? Yeah
Give my gun away when it's loaded
That alright? Yeah
If you don't shoot it how am I supposed to hold it?
That alright? Yeah
Give my gun away when it's loaded
That alright? Yeah, with you?
Leave me out with the waste
This is not what I do
It's the wrong kind of place
To be cheating on you
It's the wrong time
She's pulling me through
It's a small crime
And I got no excuse
And is that alright? Yeah
To give my gun away when it's loaded
(Is that alright with you?)
Is that alright? Yeah
If you don't shoot it how am I supposed to hold it?
(Is that alright with you?)
Is that alright? Yeah
If I give my gun away when it's loaded
(Is that alright with you?)
Is that alright
Is that alright with you?
That alright? Yeah
If I give my gun away when it's loaded
(Is that alright with you?)
Is that alright? Yeah
You don't shoot it how am I supposed to hold it?
(Is that alright with you?)
Is that alright? Yeah
If I give my gun away when it's loaded
(Is that alright with you?)
Is that alright
Is that alright with you?
And is that alright? Yeah
(To give my gun away when it's loaded)
Is that alright? Yeah
(You don't shoot it how am I supposed to hold it?)
Is that alright? Yeah
(To give my gun away when it's loaded)
Is that alright? Is that alright?
Is that alright with you? No
A a A
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Nota da redacção
sábado, 2 de outubro de 2010
Arte e Palavras Soltas

Reencontrámo-nos de modo contemporâneo. Forma remota, incorpórea, mas, por vezes, a única possível para apaziguar corações, sentimentos, prantos feitos risos, saudades encobertas.
Emails curtos, com poucas palavras, muito carinho e bastante sensualidade.
Neste longo interregno houve dois amores. Um, inexplicável, improvável e dispensável, mas profundo e desinteressado porque foi sempre esta a minha forma de amar. Outro, feliz enquanto durou, diferente, singular, adulto, completo.
Há pessoas que se nos colam pelo que são. Por mais longa a distância, o silêncio, o não saber, permanecem e carregamo-las no nosso sangue, órgãos e memória como parte de nós. A saudade deixa de doer como no passado, as interrogações desvanecem-se, as expectativas dissolvem-se, mas quando a lembrança vem, sorrimos para o vazio, o olhar pacifica-se, a alma envolve-se de líquido de ventre materno e sentimo-nos gratos, porque embora raro, há espíritos que se harmonizam e o elo, inicialmente criado e fortalecido, nunca se desfaz por mais que o caminho não tenha sido o que desejámos.
Aguardo.
Espero o movimento seguinte enquanto recebo as palavras que ninguém me disse desta forma terna, honesta e generosa.
O passado interpõe-se e recuso, por mim própria, percorrer o trilho já conhecido.
E só surge uma questão.
A aproximação final será o momento da partida?
